Postagens

Mostrando postagens de abril, 2021

O que é, o que é?

Imagem
Quem foi criança (e todo mundo foi, ou é) deve ter, em algum momento, brincado de adivinhações, vertente da cultura popular em que o Maranhão é rico. Pra lembrar e desafiar o leitor, trouxe alguns exemplos. Vamos começar? Como nos velhos tempos, é claro. O QUE É, O QUE É?... Um sapo embaixo de uma árvore dizendo caia. Fui homem quando nasci Mulher quiseram me fazer Mas tanto acocho me deram Que homem voltei a ser. Boca grande Fiofó pequeno Na igreja eu batizo Mas padre eu não sou Na cozinha sou 'o cara' Também cozinheiro não sou. Quando eu vou à missa Sempre o fiel me espera Mas eu não sei temperar Como meu irmão tempera. Quatro letras tem meu nome, É fácil de adivinhar. Criança que não obedece, De noite venho pegar. Sou felina brasileira, Mandona e bem zangada, Não tenho tinta no couro, Mas me chamam de pintada. Um marido e uma mulher Que não vivem boa ventura. Quando um chega o outro sai Sem nem olhar para trás, Ele é claro e ela é escura.

Fé, crime, lenda, arte: a movimentada história da igreja dos Remédios

Imagem
  Toda cidade tem seus tesouros, muitos deles escondidos. São Luís não foge à regra, muito pelo contrário, bastando um pouco de atenção para descobrimos preciosidades, como esse belo vitral da Igreja dos Remédios. A igreja dos Remédios fica num ponto privilegiado da cidade, a Praça Gonçalves Dias. Sua história tem início em 1719, quando o síndico dos religiosos da Ordem dos Reformadores de São Francisco doou a um português a Ponta do Romeu (assim se chamava o local) para que ali fosse construída uma ermida.   Já naquele mesmo ano essa ermida tornava-se centro de romarias. Até que um escravo, depois de assassinar um senhor, se escondeu no matagal próximo. E isso foi o suficiente para os populares, apavorados, desaparecerem dali. Mais tarde, com a expansão da cidade, a capela viria a ser novamente frequentada. Para, finalmente, em 1804, dar lugar à uma igreja sob a invocação de Nossa Senhora dos Remédios, que eleita protetora do comércio e da navegação foi sendo ao longo d...

Pela volta dos bondinhos!

Imagem
   Bondinhos de Lisboa: conferem charme à cidade, atraem turistas e servem aos moradores A retomada dos bondinhos é um projeto viável para São Luís? Se tomarmos o exemplo da capital portuguesa, pode-se dizer que a alternativa não é apenas viável, mas também rentável. Sabe-se que em Lisboa (para ficarmos apenas em um exemplo), os bondes não viraram tralhas do passado. Pelo contrário, continuam em pleno uso. Hoje, eles convivem em harmonia com outros tipos de veículos; conferem aos cenários urbanos um charme especial, potencializando suas vocações turísticas; e, não menos importante, servem a população local, que utiliza largamente os bondes nos deslocamentos do seu dia a dia. Daí a pergunta: mirando-se nesse exemplo, trazer os bondinhos de volta à São Luís não seria uma boa ideia, no sentido de fortalecer nosso turismo, tornar nosso centro histórico ainda mais atraente e, de quebra, ajudar um pouco na sempre complexa questão da mobilidade urbana? Nem seria o caso de inven...

Sabia que São Luís já teve um cemitério só para ingleses?

Imagem
          Os ingleses, por razões históricas, tiveram forte presença social e econômica na São Luís do século XIX. Para o leitor ter uma ideia, eles eram proprietários de grandes sobrados na Praia Grande, mantinham rentáveis firmas comerciais e ocupavam cargos de peso e comando.           Viviam bem, muito bem, em suas residências com terraços para o chazinho das cinco, realizando seus serviços religiosos em suas próprias casas e compartilhando, apenas entre eles, o prazer das festas, da prática de esportes e de outras atividades sociais. Tudo no mais perfeito estilo britânico.          Fato é que se os maranhenses, em contrapartida, não morriam de amores pelos os ingleses, os ingleses, como já se viu, queriam o máximo de distância dos maranhenses. E não apenas neste mundo, mas também no outro.         Só pra garantir, eles construíram seu próprio cem...

Notas para um "Roteiro macabro de São Luís" (1)

Imagem
  Um roteiro macabro de São Luís do Maranhão deve incluir o cemitério do Gavião. Não pela obviedade de ser um cemitério, mas por ali ter acontecido eventos notáveis. Um deles, que ganhou bastante repercussão, se passou há cerca de 40 anos. Certa mulher que já estando a ponto de descer à cova, de súbito se sentou no caixão, causando pavor em quantos viram a horrível cena.  O acontecimento, é claro, causou comoção nos bairros do entorno, Madre Deus, Lira, Belira, Codozinho. Centenas de populares dispararam em direção ao campo santo para conferirem de perto o acontecimento sobrenatural. E, não conseguindo ultrapassar os altos portões ferro, se concentraram na praça em frente, onde formou-se uma multidão. Muitos anos depois, quando eu trabalhava no extinto Diário do Norte e fazia matéria para Dia de Finados, conversei com um funcionário que presenciou tudo. Com os pelos eriçados só de lembrar do episódio que ainda lhe causava arrepios, ele confessou, sentado sobre um túmulo: “Meu ...