SETE TEMAS DE CORDEL

Sabe-se que comparado com outros estados do nordeste, o Maranhão não se posiciona como um grande produtor de cordel. Mas outro dia descobri um livro interessante, dando prova de que aqui e ali aparece alguém tentando difundir no estado essa que é uma das mais autênticas expressões poéticas do país. A obra, de Ribamar Lopes (um conterrâneo de João do Vale, nascido em Pedreiras), chama-se Sete temas de cordel, e embora tenha só agora chegado às minhas mãos, foi publicado em primeira e única edição em 1993 pelo Plano Editorial da Secretaria de Cultura do Maranhão. Como o nome indica, o livro analisa sete temas de cordel, dentre os mais recorrentes, como o personagem bíblico Judas, o trava-língua, a cachaça, os animais, o diabo e seus muitos nomes, a mulher e até o canto introdutório nos versos de cordel. Detalhe: na produção de Sete temas de cordel, a revisão, naturalmente bem intencionada, deu nos versos contidos na obra uma lapidada de bom português, mas cometendo, no entender do autor, equívocos tão imperdoáveis que ele sequer quis receber os volumes a que tinha direito quando o livro finalmente saiu da gráfica. Brindando ao livro de Ribamar Lopes, deixou alguns versos do poeta Cícero Vieira da Silva, que em carta ao escritor Barros Alves, enviou-lhe um cordel publicado por este último no livro Cachaça, cordel e cantador: Eu nasci em 36/ Em 50 eu já bebia/ Cachaça pura, mas hoje/ Deixei a bebedoria/ Do vício estou esquecendo/ Porque só estou bebendo/ Duas garrafas por dia.

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