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COISAS DE ONÇA



Coisas de Onça, de Daniel Munduruku. Mais um belo livro lançado este ano pela Mercuryo Jovem. A figura central, naturalmente, é a onça, animal que está nas raízes do imaginário popular de muitos brasileiros. Quem não ouviu dos mais velhos histórias desse majestoso felino de patente quase nacional? Como a da onça e do veado. Ou da onça e a raposa. Minha mãe, que morou numa aldeia indígena em Barra do Corda, interior do Maranhão, e lá deu a luz a um dos meus irmãos, dizia até que seu pai, meu avô, havia matado sozinho uma onça durante uma caçada. A noite era um breu. Meu avô, que era por demais valente, estava sozinho. Mesmo assim conseguiu suplantar o animal apenas com um artefato rude chamado forquilha e uma prosaica faca. A onça dos nossos contos, sejam verdadeiros, exagerados ou inventados, é assim: a encarnação do poder desmedido e da prepotência, mas quase sempre passada para trás por outros bichos que ao final se mostram mais espertos – inclusive, como se viu, o bicho homem. As Ilustrações, primorosas, são da premiada artista Ciça Fittipaldi, paulista comprometida com a realidade brasileira, que viveu entre os índios nhambiquara.

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"Arte e Manhas do Jabuti" será lançado em junho

Publicado com o selo Autêntica, será lançado em breve, em São Luís, o meu infantil Arte e Manhas do Jabuti. O livro, com recontos da tradição oral dos tenetehara, tem apresentação do escritor e pesquisador da cultura popular, Marco Haurélio, e belíssimas ilustrações de Taisa Borges.  Lembrete: para quem quiser se adiantar, o livro já se encontra em pré-venda na página da editora (http://grupoautentica.com.br/). Arte e Manhas do Jabuti conta com apoio cultural do SESC-MA.




























A menina inhame e Os dois irmãos e o olu: dois belos contos africanos em versos de cordel

Acabaram de sair pela editora SESI-SP os livros A menina inhame e Os dois irmãos e o olu, contos africanos que ganharam nessas obras versões em cordel.
A menina inhame é um conto tradicional africano recolhido e recontado por Agnès Agboton, com tradução do escritor Celso Sisto para o português. E a ideia foi unir a tradição dos versos de cordel à forte tradição africana voltada para a oralidade, manifestada com imensa beleza estética nesta história de provável origem iorubá.
O conto fala da angústia de uma mulher que desprezada pela sua comunidade por não conseguir ter filhos, pede a algo da natureza (no caso um inhame, tubérculo que em alguns países da África tem uma simbologia ancestral ligada à fertilidade) que se converta em sua filha. Assim, a fim de convencer o inhame, chamado Tevi, a atender-lhe o desejo, a mulher promete jamais revelar a verdadeira origem da moça. Mas acaba, o que gera desagradáveis consequências, quebrando a promessa num momento de raiva.
Os dois irmão e o …

O dono da banca: a história e as polêmicas por trás da maior editora de revistas do país

Da revista Veja já se disse quase tudo. Que é conservadora, reacionária, de esquerda, de direita, elitista, sem compromisso com os fatos ou com os princípios básicos do jornalismo. Enfim, um manancial de adjetivos desabonadores cuja lista aumenta sempre que a revista, com suas posições e matérias, melindra sensibilidades.  Exemplo antigo: reportagem de Veja de 1989 estampando foto do cantor e compositor Cazuza com o título: “Uma vítima da Aids agoniza em praça pública”. Exemplo recente: capa de Veja com foto de Marcela, esposa do presidente Michel Temer, chamando para reportagem sobre a primeira-dama. Para muitos, tratava-se de mais uma tentativa da revista de ajudar a atenuar a rejeição dos brasileiros em relação ao desgastado presidente.
De qualquer maneira não deixa de ser instrutivo, mesmo para os mais viscerais desafetos da principal joia da coroa da Editora Abril, a leitura de “Roberto Civita, o dono da banca”, do jornalista Carlos Maranhão. Trata-se da biografia de Roberto Civit…