COISAS DE ONÇA



Coisas de Onça, de Daniel Munduruku. Mais um belo livro lançado este ano pela Mercuryo Jovem. A figura central, naturalmente, é a onça, animal que está nas raízes do imaginário popular de muitos brasileiros. Quem não ouviu dos mais velhos histórias desse majestoso felino de patente quase nacional? Como a da onça e do veado. Ou da onça e a raposa. Minha mãe, que morou numa aldeia indígena em Barra do Corda, interior do Maranhão, e lá deu a luz a um dos meus irmãos, dizia até que seu pai, meu avô, havia matado sozinho uma onça durante uma caçada. A noite era um breu. Meu avô, que era por demais valente, estava sozinho. Mesmo assim conseguiu suplantar o animal apenas com um artefato rude chamado forquilha e uma prosaica faca. A onça dos nossos contos, sejam verdadeiros, exagerados ou inventados, é assim: a encarnação do poder desmedido e da prepotência, mas quase sempre passada para trás por outros bichos que ao final se mostram mais espertos – inclusive, como se viu, o bicho homem. As Ilustrações, primorosas, são da premiada artista Ciça Fittipaldi, paulista comprometida com a realidade brasileira, que viveu entre os índios nhambiquara.

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