Pular para o conteúdo principal

Feira do Livro ameaçada de não acontecer


Por Geraldo Iensen
Pelo menos a classe artística da cidade está num clima tenso. Estão circulando desde quinta-feira informações que levam a crer que a 10 ª Feira do Livro de São Luís – 10 ª FELIS, marcada para os dias de 6 a 13 de novembro, pode não ser realizada. Os motivos são muitos.
O primeiro sinal veio através de um texto que percorreu grupos de whatsapp dizendo que “a estrutura dos stands da Feira do Livro que estava sendo montada foi recolhida, por embargo do IPHAN, alegando falta de pagamento da prefeitura das autorizações anteriores e a deste ano, E corre o risco de a feira não acontecer”.
Em contato com Raphael Pestana, Coordenador técnico do IPHAN, foi esclarecido que o IPHAN não embargou nada e nem cobra por “análise ou aprovação de qualquer coisa”. Porém, segundo o coordenador, “todo ano eles mandam o projeto com meses de antecedência. Agora eles mandaram em cima da hora e mesmo assim nós analisamos e devolvemos para eles complementarem o projeto com as informações, como fazemos todo ano, e eles nunca deram nenhuma resposta”. Ou seja, pelas declarações do coordenador técnico do IPHAN, sequer há uma anuência do órgão para com a FELIS.
A montagem da estrutura da feira foi o início da desconfiança e apreensão dos artistas. Na quarta feira, o estacionamento em frente à Casa do Maranhão estava interditado, para montagem da FELIS, mas no dia seguinte, quinta feira já funcionava normalmente. Fato comprovado por taxistas e flanelinhas do local. O feriado do funcionalismo público dificultou o contato com a organização da feira.
O ator Urias Oliveira publicou num perfil de rede social que “até agora não saiu a seleção dos espetáculos para a Feira do Livro. Ontem um assessor do Holandinha (sic) garantiu que ele não assinou o contrato e só assinará após a eleição. Por isso a empresa que estava iniciando a montagem da estrutura na Praia Grande desmontou e sumiu. Será?”.

O fato é que a prefeitura tem uma semana para fazer tudo o que falta para a realização da Feira do Livro. E uma coisa é certa, montar toda aquela estrutura e organizar os stands em apenas uma semana é uma tarefa árdua. E, a julgar pela desconfiança dos interessados, escritores, palestrantes, atores e público a dúvida sobre a concretização da 10ª FELIS é geral.

Postagens mais visitadas deste blog

"Arte e Manhas do Jabuti" será lançado em junho

Publicado com o selo Autêntica, será lançado em breve, em São Luís, o meu infantil Arte e Manhas do Jabuti. O livro, com recontos da tradição oral dos tenetehara, tem apresentação do escritor e pesquisador da cultura popular, Marco Haurélio, e belíssimas ilustrações de Taisa Borges.  Lembrete: para quem quiser se adiantar, o livro já se encontra em pré-venda na página da editora (http://grupoautentica.com.br/). Arte e Manhas do Jabuti conta com apoio cultural do SESC-MA.




























A menina inhame e Os dois irmãos e o olu: dois belos contos africanos em versos de cordel

Acabaram de sair pela editora SESI-SP os livros A menina inhame e Os dois irmãos e o olu, contos africanos que ganharam nessas obras versões em cordel.
A menina inhame é um conto tradicional africano recolhido e recontado por Agnès Agboton, com tradução do escritor Celso Sisto para o português. E a ideia foi unir a tradição dos versos de cordel à forte tradição africana voltada para a oralidade, manifestada com imensa beleza estética nesta história de provável origem iorubá.
O conto fala da angústia de uma mulher que desprezada pela sua comunidade por não conseguir ter filhos, pede a algo da natureza (no caso um inhame, tubérculo que em alguns países da África tem uma simbologia ancestral ligada à fertilidade) que se converta em sua filha. Assim, a fim de convencer o inhame, chamado Tevi, a atender-lhe o desejo, a mulher promete jamais revelar a verdadeira origem da moça. Mas acaba, o que gera desagradáveis consequências, quebrando a promessa num momento de raiva.
Os dois irmão e o …

O dono da banca: a história e as polêmicas por trás da maior editora de revistas do país

Da revista Veja já se disse quase tudo. Que é conservadora, reacionária, de esquerda, de direita, elitista, sem compromisso com os fatos ou com os princípios básicos do jornalismo. Enfim, um manancial de adjetivos desabonadores cuja lista aumenta sempre que a revista, com suas posições e matérias, melindra sensibilidades.  Exemplo antigo: reportagem de Veja de 1989 estampando foto do cantor e compositor Cazuza com o título: “Uma vítima da Aids agoniza em praça pública”. Exemplo recente: capa de Veja com foto de Marcela, esposa do presidente Michel Temer, chamando para reportagem sobre a primeira-dama. Para muitos, tratava-se de mais uma tentativa da revista de ajudar a atenuar a rejeição dos brasileiros em relação ao desgastado presidente.
De qualquer maneira não deixa de ser instrutivo, mesmo para os mais viscerais desafetos da principal joia da coroa da Editora Abril, a leitura de “Roberto Civita, o dono da banca”, do jornalista Carlos Maranhão. Trata-se da biografia de Roberto Civit…