Pular para o conteúdo principal

No forno, folheto em cordel sobre Ana Jansen


Sai por esses dias folheto em cordel tendo como personagem Ana Jansen, a lendária maranhense  que depois de morta virou lenda. Como todo mundo sabe, nas noites de quinta pra sexta-feira o fantasma da matrona, condenada a sofrer pela eternidade, circula pela cidade em sua carruagem encantada, assustando quem encontra pelo caminho e oferecendo aos incautos uma vela, que no dia seguinte se transforma em osso de defunto. Na sequência, alguns versos.

 

Todo mundo quer saber
Quando vem ao Maranhão,
A história de Ana Jansen
E a sua maldição,
Vou contar neste livrinho
Que o prezado tem na mão.

Mas adianto ao leitor
Pra tomar certo cuidado.
Se o sujeito é medroso,
Com tudo fica alterado,
É melhor ler Walt Disney
Para não sair borrado.

Ana Jansen ficou rica,
Porém pobre ela nasceu,
Mas sua sorte mudou,
Veja como isso se deu:
Casou ela com um ricaço
Que antes dela morreu.

 
Com isso Donana herdou
Uma bolada em dinheiro,
Além de casas e escravos
Que eram do seu parceiro,
Tinha mais ouro Ana Jansen
Do que farinha em paneiro.


Postagens mais visitadas deste blog

"Arte e Manhas do Jabuti" será lançado em junho

Publicado com o selo Autêntica, será lançado em breve, em São Luís, o meu infantil Arte e Manhas do Jabuti. O livro, com recontos da tradição oral dos tenetehara, tem apresentação do escritor e pesquisador da cultura popular, Marco Haurélio, e belíssimas ilustrações de Taisa Borges.  Lembrete: para quem quiser se adiantar, o livro já se encontra em pré-venda na página da editora (http://grupoautentica.com.br/). Arte e Manhas do Jabuti conta com apoio cultural do SESC-MA.




























O dono da banca: a história e as polêmicas por trás da maior editora de revistas do país

Da revista Veja já se disse quase tudo. Que é conservadora, reacionária, de esquerda, de direita, elitista, sem compromisso com os fatos ou com os princípios básicos do jornalismo. Enfim, um manancial de adjetivos desabonadores cuja lista aumenta sempre que a revista, com suas posições e matérias, melindra sensibilidades.  Exemplo antigo: reportagem de Veja de 1989 estampando foto do cantor e compositor Cazuza com o título: “Uma vítima da Aids agoniza em praça pública”. Exemplo recente: capa de Veja com foto de Marcela, esposa do presidente Michel Temer, chamando para reportagem sobre a primeira-dama. Para muitos, tratava-se de mais uma tentativa da revista de ajudar a atenuar a rejeição dos brasileiros em relação ao desgastado presidente.
De qualquer maneira não deixa de ser instrutivo, mesmo para os mais viscerais desafetos da principal joia da coroa da Editora Abril, a leitura de “Roberto Civita, o dono da banca”, do jornalista Carlos Maranhão. Trata-se da biografia de Roberto Civit…

A menina inhame e Os dois irmãos e o olu: dois belos contos africanos em versos de cordel

Acabaram de sair pela editora SESI-SP os livros A menina inhame e Os dois irmãos e o olu, contos africanos que ganharam nessas obras versões em cordel.
A menina inhame é um conto tradicional africano recolhido e recontado por Agnès Agboton, com tradução do escritor Celso Sisto para o português. E a ideia foi unir a tradição dos versos de cordel à forte tradição africana voltada para a oralidade, manifestada com imensa beleza estética nesta história de provável origem iorubá.
O conto fala da angústia de uma mulher que desprezada pela sua comunidade por não conseguir ter filhos, pede a algo da natureza (no caso um inhame, tubérculo que em alguns países da África tem uma simbologia ancestral ligada à fertilidade) que se converta em sua filha. Assim, a fim de convencer o inhame, chamado Tevi, a atender-lhe o desejo, a mulher promete jamais revelar a verdadeira origem da moça. Mas acaba, o que gera desagradáveis consequências, quebrando a promessa num momento de raiva.
Os dois irmão e o …