Biblioteca Nacional quer ampliar seu acervo de cordel


Deu no Diário do Nordeste de 14 de novembro de 2011 (matéria assinada por Fábio Marques) que a Biblioteca Nacional move campanha para divulgar aos cordelistas a Lei do Depósito Legal, que obriga a doação de um exemplar de toda publicação em território nacional ao acervo da entidade. A Biblioteca espera com isso revigorar o acervo de cordéis da instituição, que é pífio (menos de 2 mil exemplares), levando-se em conta a vasta produção do folheto, e se comparado, por exemplo, ao acervo de 4,6 mil exemplares na Universidade do Novo México e ao de 9 mil existentes na Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos, em Washington.
A chefe da divisão de Depósito Legal da Biblioteca Nacional, Daniele Del Giudice, lembra a previsão de multa para quem não procede de acordo com a lei. Por outro lado, observa que a política da instituição com autores e editores é a do bom relacionamento, sendo um exemplo disso a atual busca pela conscientização. Para se ter uma idéia da situação, um dado considerado alarmante: em outubro passado foram recebidos pelo setor de Depósito Legal da Biblioteca apenas 8 exemplares de publicações de cordel do Brasil inteiro. Os exemplares encaminhados à Biblioteca Nacional passam a integrar a Coleção Memória Nacional, o que asseguraria a guarda e difusão da obra.
Editor e autor de literatura de cordel, o cearense Klévisson Viana disse considerar importante este tipo de ação, mas acrescentou que é preciso mais empenho por parte da BN no sentido da instituição abrir canais de debate com os cordelistas para explicar a lei e a importância da catalogação. O presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), Gonçalo Ferreira da Silva, afirmou que a entidade envia produções dos seus associados à instituição. No entanto, disse achar difícil mobilizar de maneira geral autores de cordel a enviar cópias de seus trabalhos. “Você é um poeta que mora nos cafundó do sertão, você vai estar preocupado com Biblioteca Nacional? Você está preocupado em ler o folheto para os amigos na feira”.


A foto é de uma banca de cordel em exposição na Fundação Câmara Cascudo, em Natal, instituição cujos cuidados que tem recebido não me pareceram, numa visita recente, à altura da sua importância.

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